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25/03/2007 18:52
África
É, finalmente lembraram-se de que esse continente existe. Por que eu digo isso? Você se lembra das notícias à respeito da África antes desses incidentes no Congo?
Pois é, eu provoco dizendo que isso é parte do resultado da dominação que esse continente sofreu e sofre dos países que se dizem mais desenvolvidos, ou democráticos. O mundo tem uma dívida histórica com a África em geral. Qualquer pensamento a respeito de um mundo melhor, com mais democracia, como sempre é pregado, deve socorrer as carências urgentes dessa coletividade.
enviada por Marco Aurélio
24/03/2007 18:13
Respostas dos nossos representantes
Seguem abaixo os nomes dos nossos parlamentares que nos responderam os email, a esmagadora maioria informando que encaminhou nosso email para autoridades competentes para que tomes providências. Somente um responde, o DE. estadual Luiz Paulo. Deputados federais e Senadores estão em silêncio... talves fazendo planos com seus novos salários...
Os vereadores Dr. Nelson Ferreira e Roberto Monteiro.
Deputados estaduais Pedro Augusto, Paulo Ramos, Luiz Paulo, Zito e André do PV.
Aguardo as resposta dos demais...
enviada por Marco Aurélio
24/03/2007 17:56
Dep. Luiz Paulo, sobre Educação
Infelizmente não salvei a minha resposta ao email que recebi do deputado. Falei da minha difícil experiência como ex-aluno de um colégio estadual e teci comentários sobre os problemas salariais e de condições de trabalho. Segue abaixo o email do deputado.
Pronunciamento do Deputado Luiz Paulo Plenário da Assembléia
Legislativa do Estado Rio de Janeiro
ALERJ , em 22/03/2007
Educação a importância dos orientadores tecnológicos da Secretaria de
Educação do Estado
Quero chamar a atenção sobre a questão educacional de nosso Estado.
Tenho recebido diversos e-mails de professores da Secretaria de Educação
que trabalhavam como orientadores tecnológicos.
De repente, deixaram de ser orientadores e voltaram abruptamente para a
sala de aula, como se aquela função não fosse
também uma função pedagógica.
E o diagnóstico sobre educação, entra ano, sai ano, é sempre o mesmo:
carência de equipamento, de manutenção, de
recursos humanos, elevado índice de evasão e repetência, horário de aulas
reduzido, número de vagas muito menor que
a demanda, inadequação do currículo da escola e das metodologias à
clientela e aos novos tempos. Os diagnósticos
são sempre esses.
O jornal O Globo, de 11 de março de 2007, mostrou-nos que, de 1981 a 2001,
enquanto em São Paulo e Minas Gerais
a taxa de repetência diminuiu, no Rio de Janeiro ficou constante, em torno
de 22%. Entre 1999 e 2004, período muito próximo,
houve piora nos índices de evasão e repetência, mas o Rio de Janeiro piorou
ainda mais que os outros Estados
Os professores do Estado do Rio não recebem aumento há mais de dez anos. O
currículo é pouco atraente, não utilizando
as novas ferramentas tecnológicas existentes. Dentro deste contexto,
incluem-se os orientadores tecnológicos.
Pergunto: na medida em que eles foram remanejados para serem professores de
diversas disciplinas e deixaram de ser orientadores tecnológicos, como fica
o investimento feito em equipamento e capacitação de pessoal? Perde-se? Foi
feita uma avaliação sincera, correta, do trabalho desenvolvido? Avaliou-se
o custo-benefício desse deslocamento de profissionais para outras funções,
depois de tantos anos dedicados a essa tarefa? A rede terá a carência de
docentes atenuada expressivamente? Já respondo que não, porque hoje aparece
a informação de que serão chamados mais cinco mil professores. Então, não
são os orientadores tecnológicos que vão resolver o problema da escassez de
professores.
A medida não caminha na direção oposta de todos os diagnósticos feitos em
todos os governos, de que é necessário a incorporação de novas tecnologias
ao processo educacional? E hoje não se fala em laptop, computador de mão
para os alunos? A medida não deixa os alunos cada vez mais descrentes da
escola? Não os leva mais rapidamente para as ruas? Não aumenta a evasão?
Lembro que o documento da bancada do PSDB é muito claro quanto a essa
questão. Todos somos favoráveis ao uso intensivo das ferramentas da
informática na educação e, por via de conseqüência, não podemos ser
favoráveis a que os orientadores tecnológicos sejam deslocados, sejam
abruptamente transferidos para a sala de aula.
Admiro e respeito profundamente o Secretário Maculan, que foi reitor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde fiz meu curso de Engenharia e
meu mestrado em Transportes. O Estado precisa exatamente colocar cinco mil
professores para suprir a carência de professores por disciplina, mas não
pode, de jeito algum, abrir mão dos orientadores tecnológicos, para que
nossos alunos e há muitos aqui possam ter a ferramenta, no mínimo, da
informática a seu favor. Senão o próprio programa, em nível nacional, de
minimizar o custo dos computadores e ofertar esse excelente instrumento
para a rede pública de ensino, irá por água abaixo, num Estado importante
como o Rio de Janeiro. Vou pedir, também, uma audiência ao Secretário
Maculan.
enviada por Marco Aurélio
24/03/2007 17:52
Resposta do Deputado Luiz Paulo a minhas questões
Resposta do Deputado Luiz Paulo a minhas questões, também enviadas aos demais parlamentares da ALERJ. Foi a primeira resposta concreta que tive!
Caro Marco Aurelio
Vamos por parte:
Etanol - É uma questão que deva ser tratada com certa prudência .
É evidente que o etanol é uma alternativa energética ao petróleo, com
vantageens ambientais e uma oportunidade econõmica para o País. Porém
deve-se tomar cuidado, tanto com o etanol como com o biodiesel. Todas
essas
duas fontes enegéticas implicam em agricultura extensivas que ocupam
grandes extensões de terra, em desmatamento, em queimadas e de fontes
hídricas para irrigação. essas questões têm sérias implicações
econômicas,
sociais, e ambientais. Além disso, se entrarmos profunda e intesamente
nessa estratégia energética, devemos pesar as consequências que advirão
com
a viabilidade de fontes energéticas derivadas do hidrogênio, que o
avanço
tecnológico logo viabilizará.
No que diz respeito às escolas públicas em tempo integral sou
inteiramente
favorável ed efendo que se encontrem forma de viabilizar essa decisão
financeira e pedagogicamente.
O programa de Despoluição da Baía de Guanabara foi iniciado no governo
Marcello Alencar em 1995 quando como Vice Governadoe e Coordenador das
Ações de Infraestrutura dei partida no Programa. Infelizmente o
Programa
foi muito mal conduzido pelo Governador Garotinho e pelos governos
Benedita
e Rosinha. Em 1998 deixamos muitas obras concluídas e outras projetadas
e/ou contratadas, de forma a poderem ser concluídas nos prazos que
terminariam em 2003.
Como deputado da oposição vou fiscalizar para que este Programa seja
levado
a seu termo e possamos ter no futuro, uma Baía de guanabara mais limpa.
LUIZ PAULO
Repassado por Luiz Paulo/ALERJ em 19/03/2007 08:03 -----
"Linha Direta"
.rj.gov.br> cc:
Assunto: Contate seu
Deputado
17/03/2007 17:58
Responder a
mago_cidadao
REMETENTE
Nome: Marco Aurélio Gomes de Oliveira
E-mail: mago_cidadao@yahoo.com.br
COMENTÁRIOS
Senhor (a) Deputado (a), gostaria de saber a sua opinião a respeito da
produção de etanol e as possibilidades do Rio de Janeiro para tanto.
Gostaria de saber também sua opinião sobre as Escolas Estaduais em
tempo
integral e se já existe alguma discussão a respeito do assunto na
Assembléia. Pergunto também sobre a despoluição da Baia da Guanabara,
sua
opinião, o andamento dessas obras, além de cronograma. Penso que o
Estado
do Rio ganharia demais em turismo se tivéssemos nossa Baia despoluída.
Agradeço desde já a atenção, aguardando o retorno da mensagem, desejo
uma
excelente semana! Abraço! Marco Aurélio. Rio,17/03/2007.
enviada por Marco Aurélio
22/03/2007 21:48
Idéias de 22/03/2007
Na sua coluna de quinta-feira, dia 22 de Março de 2007, Ricardo Boechat cita uma informação da ONU que dá conta da existência de 52 milhões de blogs no mundo, sendo que 85 mil surgem a cada dia, numa média de um por segundo. Ele termina pedindo-nos imaginar quanto lixo.
Lembro, no entanto, que a internet é uma ferramenta importantíssima no acesso à informação e divulgação de idéias. Podem existir muitas coisas que não concordamos, mas daí a taxar assim a profusão de blogs não concordamos. Essa atitude faz parecer que o jornalista não valoriza a diversidade de opiniões. É muito próprio de quem gosta de participar da formulação de consensos, de quem deseja, enfim, que o direito de emitir opiniões fique restrito a poucos.
A internet pode produzir muito lixo, mas isso acontece em todas as áreas de atuação do ser humano, inclusive no jornalismo.
Importantíssimo:
Gostaria de informar às dezenas de milhares de leitores que acessam diariamente nosso blog que tomamos uma decisão importante, cujos resultados serão compartilhados com todos.
Há duas semanas cadastramos um endereço de email no yahoo com o objetivo de contatarmos nossos representantes, os políticos que estão ocupando cargos, particularmente os parlamentares, além das Ouvidoria da Prefeitura do Rio. Da primeira vez que os escrevemos somente obtivemos respostas evasivas, dando conta de que nossa mensagem fora encaminhada às autoridades competentes. A partir da segunda semana, passei a registrar o que lhes enviei. Obtive, por hora, uma resposta. Assim, a partir de agora, vamos publicar aqui os emails que mandamos e as respostas que obtivemos. Penso que assim podemos juntos cobrar, perguntar e reivindicar aquilo que desejamos. Disponibilizarei também endereços de emails dos vereadores e senadores, além de esclarecer como caminharmos dentro dos sites da ALERJ e da Câmara dos Deputados em Brasília, afim de que mais pessoas se empolguem e passem a fiscalizar e interagir com nossos representantes.
enviada por Marco Aurélio
06/03/2007 21:42
Lápis e papel na mão
Fausto Wolff para o Jornal do Brasil - 18/01/2007, Caderno B: Não são muitos - felizmente - os leitores que escrevem dizendo que o socialismo não deu certo nem no Haiti, ou que Marx está superado, como se alguma vez sua filosofia humanista houvesse sido posta em prática integralmente. A essência do marxismo está contida numa famosa declaração de 1845, extraída de seus textos: Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras. A questão é modificá-lo. Isso significa que, para Marx, todos os problemas nasciam do modo como a sociedade era organizada. Só através da justiça social o homem terá condições de ser feliz. Até hoje ninguém me provou que um homem realmente inteligente pode se preocupar com a futura fortuna dos seus bisnetos em vez de preocupar-se em melhorar a si mesmo como ser humano e assim melhorar o mundo. O Manifesto diz, em seu final: Os proletários não têm nada a perder, além dos seus grilhões, e têm um mundo a conquistar. Trabalhadores de todos os países, uni-vos!. A Essência do cristianismo, de Hegel, foi o livro que mais influenciou o jovem Marx. O deus que Feuerbach manteve numa formulação praticamente existencialista não era mais do que a essência do próprio homem: abstratamente e falsamente objetificada e então cultuada. O próximo estágio deveria ser, portanto, substituir o amor do homem por Deus pelo amor do homem pelo homem. Um homem que ama a si próprio e aos semelhantes já é, naturalmente, um cristão, sem necessariamente acreditar em qualquer Deus. Não é a consciência que determina a existência; é a existência que determina a consciência, escreveu Marx. Um homem ignorante abandonado pela sociedade só poderá decidir entre a subordinação escrava e o crime. Para Marx, o homem é moldado pela sociedade. Embora negasse a religião ele mesmo, jamais desconsiderou a qualidade dos sentimentos religiosos. Ironicamente, a vigorosa vida que existe dentro do marxismo, e especialmente a do marxismo-cristão do século 20, estava ruindo, pois os teólogos da Libertação perderam a guerra contra o clero evangélico-vigarista do estilo Igreja Redentor. O cristianismo socialista voltou a tomar força com Chávez, Correa e Morales, três homens do povo eleitos democraticamente e que a grande democracia dos EUA não quer reconhecer. Quando o lucro desculpa tudo, tudo é possível. As distinções de classe se tornam cada dia mais visíveis: os ricos, uma pequena classe média, um bolsão de pobreza e ignorância e outro de miséria física e mental. Os dois últimos blocos não pensam, são como personagens e assistentes do Big Brother. Votarão eternamente em Lula, pois não votam num nome, mas numa imagem na qual se vêem refletidos. Com dinheiro e armas é fácil para os algozes negarem que o trabalho de um homem produz um valor superior às suas necessidades. O excesso (ou surplus) se transforma em capital para os proprietários da produção. Marx acreditava que um camponês, dono de sua terra, ao final do dia podia decidir se trabalharia uma hora a mais e se a dor na costas compensaria o lucro. O operário na fábrica não tem essa escolha. O diagnóstico de Marx é o de que o sistema capitalista não é, de modo algum, natural para seres humanos. Nele, o homem é um ser alienado da natureza e de si mesmo. Sente-se à parte do seu trabalho, porque não pode contribuir, com ele, para a comunidade. Ele é apartado de si mesmo, pois, embora trabalhe, não tem acesso aos resultados do próprio trabalho. Uma das grandes falácias sobre o marxismo é que ele não dá suficiente importância à vida interior dos indivíduos. Ora, é somente quando se sente livre que o homem constrói sua individualidade e se torna senhor do seu destino. Só se consegue isso no capitalismo através da exploração, do roubo e da loteria esportiva, outra forma de roubo. Com as mudanças ocorrendo em quase toda a América Latina, e Bush atolado em seus crimes no Oriente, não há momento melhor para reconsiderar os argumentos de Marx à luz dos nossos tempos, à luz de métodos mais precisos e refinados de análise moderna. É preciso entender a hora de entregar alguns anéis para não perder os dedos.
enviada por Marco Aurélio
06/03/2007 21:41
Reflexões
Boechat TV Bandeirantes
A redução da maioridade penal é consenso na sociedade? Eu não me lembro de ter aderido a esse consenso nunca. Atenção ao que vemos e escutamos na TV! Vamos ser críticos e não aceitar que qualquer um se faça de nosso porta-voz. Muitas vezes os nossos interesses não se conciliam com os interesses daqueles que dizem defender-nos.
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Causam-me surpresa as últimas declarações do governador Sérgio Cabral a respeito de temas polêmicos, como jogo de bicho, aborto e drogas leves, que diz não ter medo de abordar. Não me lembro de que tenha defendido claramente suas opiniões sobre essas questões na campanha eleitoral do ano passado.
Sobre o argumento que associa repressão a essas atividades com a perda de dinheiro do Estado gostaria de lembrar que o aborto é um atentado a uma vida que não tem possibilidade de defesa. Explorar jogo, seja qual seja, pode ser muito rentável, mas não o é para quem perde suas economias, fundamentais para o sustento de suas famílias, na ilusão alimentada de ganhar um prêmio que mudaria suas vidas. Por fim, no que respeita as drogas ditas leves, elas são a porta de acesso as mais pesadas. Somado a isso, teremos os gastos com saúde pública no tratamento das conseqüências do vício.
Os homens públicos têm que ser exemplos para a sociedade.
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Sobre a morte da menina Alana Ezequiel, morta por um tiro de fuzil nas costas durante troca de tiros no morro dos Macacos, gostaria de saber quando o Senhor Governador Sérgio Cabral visitará a mãe que perdeu sua filha de forma trágica, a faxineira Edna Ezequiel, como fez com a mãe de João Hélio. Os nomes dessas vítimas não podem se apagar nas nossas memórias.
enviada por Marco Aurélio
11/02/2007 21:16
A morte do menino João no Rio de Janeiro
É unanimidade o choque que as pessoas com um mínimo de sensibilidade sentiram ante o assassinato do menino arrastado pelos assaltantes que roubaram o carro de sua mãe. Muitas discussões são levantadas nesses momentos de emoção. Pena de morte e redução da maioridade penal são constantes nessas ocasiões, sugestões bastante defendidas por certos meios de comunicação conhecidos pelo seu caráter reacíonário. Vamos juntos tentar pensar algumas questões a respeito desse caso.
O que muitos querem saber é o que leva um ser humano a cometer isso com outro. As razões são várias e as responsabilidades não se resumem àqueles quatro ou cinco presos. Relaciona-se a um modelo de sociedade.
As pessoas são diferentes, agem, pensam, comportam-se de forma distinta umas das outras. As vezes filhos de um mesmo casal tem comportamentos totalmente opostos. Isso se explica: somos viajantes da eternidade, portadores das tendências e aptidões que vamos alimentando através dos séculos pelas múltiplas vidas que temos. Situações fáceis para alguns podem ser grandes desafios para outros.
Vivemos numa sociedade que prioriza aquilo que o indivíduo tem, e não aquilo que ele é. Nosso modelo preconiza necessidades fictícias que em muitos se constituem verdadeiros tormentos. Os assaltantes e assassinos do menino se inserem nesse contexto.
Tentavam roubar um carro e se não me engano pertences da família. Levaram isso e também uma de suas preciosidades: o filho de seis anos. O desejo de ter, de possuir, de ostentar, diariamente alimentado pela nossa sociedade, enlouquece e transtorna certos indivíduos. Temos que interpretar quem mata, com o rerquinte que seja, como portadores de doença da alma, merecem tratamento, não vingança, como muitos desejamos. A função da penalidade (pelo menos deveria ser) é a de recuperar o indivíduo para o convívio social, não entulhar, esconder ou matar os criminosos/doentes da alma. Peço que se coloquem na situação também dos pais dos assassinos, da mesma maneira que nos colocamos no lugar dos pais do menino. Gandhi, para citar muito mal as suas palavras, disse certa feita que na sociedade baseada no "olho por olho, todos ficarão cegos. Vamos repensar nossos modelos.
Esse crime vai demorar, mas vai cair no esquecimento, afinal, estamos a uma semana do carnaval, e nessa época muitos de nós ficamos pouco sérios e reflexivos, ligando pouca importância para questões relevantes. Mas as próximas vítimas podem ser nossos filhos, sejam eles vítimas ou algozes. Vamos discutir nossos valores e nossas posturas, porque os crimes continuarão ainda, seja os assassinatos de homens e crianças de diversas formas, seja matando-os com armas, seja asfixiando-lhes a esperança e o direito de ser felizes numa realidade mais justa. MUITA PAZ E BEM A TODOS!!!
enviada por Marco Aurélio
11/02/2007 20:54
O Carnaval no Rio
O CARNAVAL NO RIO
Humberto de Campos
O Carnaval no Rio de Janeiro, em 1939, foi mais uma nova realização da alegria carioca, entornando nas almas da agigantada Sebastianópolis o vinho dos prazeres fáceis e das vibrações ruidosas, que produz o temporário esquecimento das mais nobres responsabilidades da vida.
Um escritor, encarnado ou desencarnado, que venha falar contra os excessos do período carnavalesco, no Rio, costuma perder o seu tempo e o seu esforço sagrados.
Os três dias de Momo são integralmente destinados ao levantamento das máscaras com que todo sujeito sai à rua nos demais dias do ano, e a maioria dos leitores não deseja sacrificar a paz de seus hábitos mais antigos.
Mate-se o vizinho, gritem as estatísticas, protestem os religiosos, chorem os foliões que não puderam sair da intimidade doméstica, o imperativo do momento é buscar o turbilhão da Avenida ou descer dos morros pobres e tristes para a Praça Onze, em face do apelo irresistível de Momo e de seus incontáveis seguidores.
Tanto cuidado dedicou-se no Rio ao reinado bufo que o governo amparou as tendências generalizadas do povo, porque o homem da administração, preocupado com os fenômenos diplomáticos e com as tabelas orçamentárias, não dispõe de tempo para atender ao total das necessidades dos governados, apreciando, pela rama, as suas predileções, cumprindo à sua psicologia política satisfazer às exigências populares, para que as massas o deixem em paz, na solenidade do gabinete, dentro da solução dos seus graves problemas administrativos de ordem imediata.
Foi assim que atraímos grandes correntes turísticas, não mais para a contemplação das belezas topográficas da cidade valorosa de São Sebastião, mas para o conhecimento das paixões desencadeadas do nosso povo em meneios de Terpsícore africana.
Neste ano, intensificaram-se as folganças, com a nota dos marinheiros ianques e suecos, que se entregaram totalmente à folia.
O movimento carioca causou uma vida, nova. Não faltou mesmo a nota alegre e pitoresca da criança que nasceu em Niterói, em plena rua, sobre um leito improvisado de serpentinas.
Os jornais e as estações radiofônicas não tiveram outro assunto que não fosse o da vitória de Momo no seu reinado extravagante de orgia. Os comerciantes se pronunciaram.
A cerveja, o chope e outras bebidas tiveram o consumo aproximado de cinco milhões de garrafas. Movimentação extraordinária e lucros assombrosos. Prosperaram os negócios da Central e da Cantareira.
Houve, porém, outra estatística menos conhecida.
O Delegado de Menores recebeu quatrocentas e doze reclamações, sobre crianças desaparecidas. Só no Posto Central da Assistência Municipal foram atendidas mais 'de mil e cem pessoas.
A par da progressão dos negócios, multiplicaram-se as agressões, proliferou o crime, intensificaram-se as quedas na viu pública, os acidentes de toda natureza, os desastres de automóveis, as expressões de alcoolismo, as tentativas de suicídio, as intoxicações, os casos de hospitalização imediata, sem nos referirmos aos dolorosos dramas da sombra, que ficaram na penumbra, receosos da inquirição policial e da crítica dos vizinhos.
O Carnaval passou qual onda furiosa, levando, como sempre, todos os bons sentimentos ainda vacilantes, que aguardavam a âncora da fé pura, a fim de se consolidarem no mar infinito ala Vida.
Diante das vibrações carnavalescas do povo carioca, nós nos calamos, porém, como o homem que lastima as irreflexões de um amigo, silenciando, quanto ao seu proceder, em face das qualidades generosas que lhe exornam a personalidade.
Somos dos que crêem na eficácia da educação para o extermínio completo desses excessos dolorosos, porquanto todo o problema é de ordem educativa.
A propósito dessa necessidade imediata do nosso povo, apraz-me recordar, nesta página, a lenda da maçã podre, que alhures, sem poder determinar, no momento, o objeto preciso de minha lembrança.
Reunidos na praça pública, alguns velhos patrícios romanos falavam cios desvios do Império e da penosa decadência dos seus costumes em família.
Alguns, possuidores de esperança, apelavam para a guerra ou para novos decretos de força que compelissem os seus compatriotas ao cumprimento dos mais sagrados deveres da existência. Contudo, um dos componentes do grupo tomou de uma grande maçã podre, exclamando:
- "Esta maçã, meus amigos, é o símbolo do atual Império. Nunca mais voltaremos ao seio das nossas antigas tradições!...
No dia em que esta fruta voltar a ser bela, retomando a sua pureza primitiva, também nós teríamos restaurado a alegria de nossa vida, com a volta aos sagrados costumes!..."
Os companheiros seguiam-lhe a palavra, com atenção, quando o mais velho e o mais experiente de todos respondeu com austera nobreza:
- "Enganais-vos, meu amigo!...
Poderemos renovar a nossa vida, como essa fruta poderá vir, mais tarde, a ser nova e bela.
Tomemos as sementes desta maçã condenada e deitemo-las, de novo, no seio da terra generosa.
Cultivemos os seus rebentos com cuidado e amor e, sob o amparo do tempo, o nosso esforço vê-la-á multiplicada em novas maçãs frescas e formosas!...
Façamos assim também com o nosso povo.
Busquemos semear na ala das gerações florescentes os princípios sagrados de nossas tradições e dos nossos hábitos e, mais tarde, toda podridão terá passado na esteira do Tempo, para caminharmos pelo futuro adentro com a pureza do nosso idealismo!"
O Carnaval é a maçã podre do Rio de Janeiro. Na sua intimidade, porém, está a semente generosa dos elevados sentimentos da alma brasileira.
Cultivemos essas sementes sagradas no espírito das gerações que surgem. Que se congreguem todos os núcleos do bem e, muito especialmente, os do Espiritismo cristão, para as sublimadas realizações desse grande labor educativo, e a podridão terá passado com o tempo, a fim de que possamos trabalhar, em nosso sagrado idealismo, sob as luzes generosas e augustas do Cruzeiro.
Do livro "Novas Mensagens", de Humberto de Campos, psicografado por
Francisco Cândido Xavier, págs. 34/38, 5.° ed. FEB
Reformador Fevereiro de 1975
enviada por Marco Aurélio
08/02/2007 19:23
Reflexões sobre o Carnaval
Entra ano, sai ano, a festa muito esperada pelos organizadores oficiais e pelos foliões bate-nos a porta. É um período de pretensa alegria e descontração onde o brasileiro em geral se desliga dos problemas do seu dia a dia. Grandes quantidades de turistas estrangeiros e internos chegam para as cidades onde a festa é mais famosa, como no Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Gostaríamos de analisar o fundamento dessa alegria e suas implicações.
Em primeiro lugar, podemos alinhar que nessa época do ano, na dita festa da carne, comete-se abusos numerosos a dignidade do ser humano. O consumo de bebidas alcoólicas cresce enormemente, com todas as conseqüências disso decorrentes, que se manifestam nos episódios de violência, nas entradas nos hospitais de pacientes em coma alcoólico e vítimas de acidentes, onde podemos destacar os acidentes automobilísticos. Todos sabem que a bebida é desagregadora de lares e dignidades. Cada um de nós deve conhecer casos de pessoas que chegaram próximas ou foram vitimadas por essa droga lícita, divulgada nos meios de comunicação, sempre associada à juventude nessas campanhas publicitárias.
Outro aspecto que devemos mencionar respeita ao consumo de drogas ilícitas que seguramente nesse período atinge níveis bastante consideráveis, gerando, além dos prejuízos citados acima, o financiamento do tráfico de drogas, que contribui e estimula a violência. Ressalto que os dependentes químicos (todos) são doentes que são dignos de respeito e consideração, merecedores de tratamento eficaz para sua enfermidade.
O sexo nessa ocasião é grandemente propalado, mesmo que não se tenha responsabilidade pelas pessoas e sua dignidade. É uma época em que o ser humano é coisificado, visto como um objeto que atende a desejos transitórios, como um canudo ou um guardanapo descartável. Os desejos reprimidos, muitas vezes doentios, são liberados porque protegidos por máscaras e fantasias, além daqueles lugares onde se realizam bailes em que as ligações sexuais são realizadas de forma irresponsável, gerando muitas vezes conseqüências futuras.
Por fim, o dinheiro que se movimenta em função do carnaval é monumental. O que um dia foi uma festa popular, hoje é uma atração para pessoas abastadas financeiramente. Enquanto esse montante é aplicado ai, verificamos nas comunidades carentes, as favelas, da cidade do Rio de Janeiro, que as condições de vida da população são bastante difíceis. Falta de saneamento básico, serviços de saúde e educação de qualidade, convívio com o tráfico de drogas ou milícias urbanas (grupos paramilitares formado por policiais, ex-policiais e bombeiros). Falta-lhes inclusão social!
Não somos contrários à alegria e a confraternização. Pensamos, no entanto, que existem reflexões que são urgentes, já que as questões estão ai, apontadas. Mas reflexão não é um forte dessa época infelizmente. Poucos até se animarão de ler um texto que não seja concordante com a opinião corrente sobre o Carnaval. Infelizmente nessa época nossos dramas e desafios são postos de lado, até ganharem poeira. Prestem atenção: muitos dos assuntos que ocupam a opinião pública serão imediatamente esquecidos depois da festa. Não podemos deixar que as questões sérias da vida ganhem poeira nesses quatro dias de Momo, até porque as fantasias que criamos nessa época se acabam na quarta-feira de cinzas, restando o pó da ilusão que se desfaz em contato com a realidade, nem sempre agradável.
enviada por Marco Aurélio
30/12/2006 19:50
No apagar das luzes de 2006 matam Saddam Hussein
Com muita pressa, para que não houvesse o menor risco de não conseguirem concretizar seus planos nefastos, assassinaram o ex-presidente iraquiano, acusado de crimes contra a humanidade. Os efeitos já começam a ser sentidos pela população do país. Atentado de grupos que evidentemente disputam o poder (apesar do presidente do país). Senhor George W. Bush, o xerife do planeta deve estar muito satisfeito com o "fim de uma ameaça contra os Estados Unidos, modelo de democracia para todos". Toni Blair, seu fiel escudeiro, de uma fidelidade quase canina ao grande xerife, também possivelmente demonstra alegria. Uma voz foi calada, mas não foi uma qualquer. Era a voz de ex-aliado norte-americano... sabia de muita coisa.
Somos CONTRA A PENA DE MORTE em qualquer ocasião e circunstância. Um crime não legitima outro. O Estado, seja qual seja, não tem direito de retirar a vida de ninguém e quando o faz comete ASSASSINATO, porque se matar é crime, tem que sê-lo para todos, inclusive para o aparelho estatal e seus representantes. Pode ser legal, mas é imoral. A morte legal de alguém é um atestado de falência moral, que demonstra incapacidade de se punir alguém por alguma atitude. Passamos a analisar o caso do ex-presidente iraquiano.
Como cria dos Estados Unidos na década de 80, se não estou errado, quando recebia suporte técnico-operacional para o conflito com o Irã, não era considerado criminoso, mesmo utilizando-se dos instrumetais bastante crueis oferecidos pelo seu grande aliado. Pergunto: NESSA OCASIÃO, NÃO SE COMETERAM CRIMES DE GUERRA, OU CRIMES CONTRA A HUMANIDADE? EM CASO POSITIVO, OS RESPONSÁVEIS SERÃO PUNIDOS (FALO DE RESPONSÁVEIS IRAQUIANO E ESTADUNIDENSES)? Depois da Guerra do Golfo no início da década de 90, onde sabíamos que a questão principal tanto desta quanto desse segundo ataque norte-americano é o PETRÓLEO, foi feito um embargo econômico que VITIMOU 500 MIL CRIANÇAS. OS RESPONSÁVEIS POR ESSAS MORTES, SÃO CRIMINOSOS CONTRA A HUMANIDADE? SE MATAR CRIANÇAS, MESMO INDIRETAMENTE É CRIME, POR QUE NÃO JULGAR OS RESPONSÁVEIS POR ESSE EMBARGO? Não pedimos a pena de morte. NOSSA INTENÇÃO COM ESSAS QUESTÕES É CHAMAR A ATENÇÃO SOBRE AS MÃOS SUJAS DE SANGUE DOS SENHORES GEORGE W. BUSH E TONI BLAIR, SEUS PATROCINADORES E SEUS CAPATAZES. TÃO SUJAS OU MAIS QUE AS MÃOS DE SADDAM HUSSEIN. Não estamos hierarquizando crimes. Chamamos a atenção para os criminosos que estão passando sem julgamento. Só isso.
enviada por Marco Aurélio
24/12/2006 21:57
A revolução não será televisionada
11/09/2006
John Pilger
O meu primeiro documentário para a televisão foi The Quiet Mutiny [O motim silencioso], realizado em 1970 para a Granada. Era um filme inusual, entrelaçado de ironia e farsa, como que um Catch-22 factual, filmado num estilo gentil, quase lírico por George Jesse Turner. A história era algo como uma revelação em primeira mão: o grande exército dos Estados Unidos no Vietname estava a desintegrar‑se à medida que recrutas irados levavam a sua rebelião de casa para os campos de batalha do Vietname. A evidência do filme de soldados disparando contra os seus oficiais e recusando-se a combater causou um furor entre os guardiães da verdade oficial. O embaixador norte‑americano na Grã‑Bretanha, Walter Annenberg, um velho amigo do presidente Richard Nixon, telefonou a Robert Fraser, director da Independent Television Authority (ITA) [Autoridade de Televisão Independente]. Embora não tivesse visto o filme, Robert estava apopléctico. Intimando os executivos da Granada, ele bateu na secretária e descreveu‑me como «um subversivo extremamente perigoso» que era «anti‑americano». Isto surpreendeu Bernstein, o fundador libertariano da Granada, que protestou que The Quiet Mutiny tinha recebido muitos louvores do público e, longe de ser anti‑americano, só tinha mostrado simpatia pelo desespero dos jovens soldados apanhados numa guerra sem esperança. Quando voei para Nova Iorque e o mostrei a Mike Wallace, o repórter estrela do programa 60 Minutes da CBS, ele concordou. «É uma verdadeira vergonha que não o possamos mostrar aqui», disse.
Este medo e desgosto chegaram como uma surpresa para mim. Eu era um jornalista ingénuo nos meandros da televisão, especialmente sobre quão longe o poder estabelecido ia para a controlar. A longa lista de programas banidos, censurados e adiados sobre a Irlanda é testemunha disto, tal como o são os ficheiros desclassificados sobre a verdadeira razão pela qual The War Game, a brilhante recreação de Peter Watkins de um ataque nuclear contra a Grã‑Bretanha em 1965, foi banido. (Na época, a BBC tinha mentido ao dizer que as pessoas sensíveis não seriam capazes de suportar assistir a The War Game. Na verdade, a BBC tinha entregue secretamente ao governo o controle editorial, com uma nota de Normanbrook, presidente do conselho de administradores, explicando que, embora o filme fosse «baseado em investigação cuidadosa de material oficial (...) e produzido com contenção considerável», a sua transmissão «poderia ter um efeito significativo sobre a atitude do público em relação à política de dissuasão nuclear».)
Quase todos os mais de 50 filmes que fiz para a ITV (e uma série para o Channel 4) tiveram de navegar através de um sistema que raramente declara a sua intenção de criar e moldar a opinião pública. A BBC exemplifica isto, com a sua especiosa neutralidade, equilibrando miticamente extremos que se digladiam enquanto expele um fluxo de assunções oficiais e enganos como notícias. Na sua juventude, a televisão comercial britânica era diferente. Ao contrário dos seus equivalentes em qualquer outra parte do mundo, reteve um núcleo de pessoas que, como Bernstein, defenderiam aqueles que desafiavam a sabedoria recebida. Certamente, os meus colaboradores incluíram alguns dos melhores e mais arrojados, entre os primeiros os três jovens renegados da BBC que em primeiro lugar me sugeriram a televisão num restaurante de Soho em 1969. Os realizadores Paul Watson, Charles Denton e Richard Marquand eram produtos dos breves e esclarecidos anos de Hugh Greene na BBC. Reunidos pelo destacado actor David Swift, o nosso propósito, nas palavras de Watson, era «levar os documentários para além dos limites estabelecidos para o pessoal da BBC e trazer para a televisão assuntos indigestos para as hierarquias». Acreditávamos que faltava uma dimensão muito séria ao jornalismo que não fosse esclarecido pela opinião, pela ironia, pelo humor, pela compaixão e pelo engajamento. As nossas inspirações eram One Pair of Eyes, de James Cameron, e See It Now, de Edward R. Murrow.
A ideia foi apanhada por World in Action, o marco de documentários da Granada que foi pioneiro de tanto jornalismo poderoso. Fui um dos primeiros repórteres de World in Action a aparecer à frente da câmara, encorajado por Charles Denton a não falar em código da BBC e a dizer claramente «o que tu próprio descobriste». De uma base norte‑americana perto da fronteira cambojana, saímos em patrulha com um pelotão de grunts (homens destacados), no que eles chamaram «terra índia» (índia = vietcong). Não vimos nenhum vietcong. O que vimos foi uma galinha, que o sargento presumiu ser uma galinha vietcong e por isso digna de menção no seu registro como um «inimigo avistado». Quanto escrevi isto no meu comentário, um executivo da Granada queria saber a fonte da minha afirmação de que a galinha tinha filiação comunista. Depois de alguma agradável conversa nesta toada, apercebi‑me que ele estava a falar a sério. «A ITA precisa de saber estas coisas», disse. «Não ficarão contentes a não ser que os tranquilizemos». Propus que a galinha permanecesse no filme como um companheiro de viagem, se não como portador de cartão [do partido], e isto foi aceite.
Robert e Normanbrook estavam certos: o documentário político é de facto perigoso, porque pode circundar o clube que une e domina o poder político e jornalístico estabelecido. Além disso, o documentário como um acontecimento televisivo pode enviar ondas vastas e para longe. Year Zero: the silent death of Cambodia, que realizei com David Munro em 1979, fez isso. Year Zero não só revelou o horror dos anos de Pol Pot, mostrou como o bombardeamento secreto desse país por Nixon e Kissinger tinha proporcionado um catalisador para a ascensão dos Khmeres Vermelhos. Também expôs como o ocidente, conduzido pelos Estados Unidos e pela Grã‑Bretanha, estava a impor um embargo, como um cerco medieval, ao país mais devastado da Terra. Esta era uma reacção ao facto de o libertador do Camboja ter sido o Vietname um país que viera do lado errado da guerra fria e que tinha recentemente derrotado os EUA. O sofrimento do Camboja era uma vingança premeditada. A Grã‑Bretanha e os EUA apoiaram mesmo o pedido de Pol Pot de que os seus homens continuassem a ocupar o assento do Camboja na ONU, enquanto Margaret Thatcher impediu que leite para crianças fosse enviado para os sobreviventes do seu regime de pesadelo. Pouco disto foi reportado.
Se Year Zero tivesse simplesmente descrito o monstro que Pol Pot era, teria sido rapidamente esquecido. Ao reportar o conluio dos nossos governos, contou uma verdade mais ampla sobre como o mundo era dirigido. Até George W. Bush e Tony Blair terem forçado a sua sorte no Iraque e no Líbano, isto permaneceu um tabu.
«Solidariedade e compaixão agitaram-se em toda a nossa nação», escreveu Brian Walker, director da Oxfam. Dois dias depois de Year Zero ter ido para o ar, 40 sacos de correio chegaram à ATV (posteriormente, Central Television) em Birmingham 26.000 cartas de primeira classe só na primeira remessa. A estação juntou rapidamente 1 milhão de libras, quase todo em pequenas quantias. «Isto é para o Camboja», escreveu um condutor de autocarros de Bristol, incluindo o seu salário da semana. Pensões inteiras foram enviadas, juntamente com poupanças inteiras. Petições chegaram a Downing Street, uma após outra, durante semanas. Os deputados receberam centenas de milhares de cartas, exigindo que a política britânica mudasse (o que aconteceu, eventualmente). E nada disso foi pedido.
Para mim, a resposta do público a Year Zero mostrou a mentira dos lugares‑comuns sobre o cansaço da compaixão, uma desculpa que alguns emissores e executivos de televisão usam para justificar a actual descida ao cinismo e à passividade da Big Brotherland. Acima de tudo, aprendi que um documentário poderia reclamar memórias históricas e políticas partilhadas, e apresentar as suas verdades escondidas. A compensação era então um público compassivo e informado; e ainda é.
enviada por Marco Aurélio
23/12/2006 20:00
Passe Liver Cassado
Hoje fui acordado da pior forma possível. Uma péssima notícia me foi transmitida por meu pai. Ele tem 65 anos e é interessado direto no assunto. Os Jornais O Dia e Extra publicaram na primeira página que o passe livre de estudantes, idosos e deficientes físicos fora cassado aqui no município do Rio de Janeiro. Fiquei perplexo! Não acreditei de pronto, julguei que estivesse muito sonado ainda, que não entendera direito. Pedi que me repetisse e meu pai infelizmente o fez. Ele precisava sair e se despediu. Não satisfeito, me levantei rapidamente e fui à banca de jornal. Era verdade mesmo...
De posse do jornal, depois de lida a notícia, que dava conta de que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça declarou inconstitucional o artigo da Lei 3.167/2000 que instituía as gratuidades. O prefeito César Maia, consultado a respeito, disse que a gratuidade é lei orgânica do município e tem mais de 30 anos. Fala que as tarifas sempre incorporaram as gratuidade. aponta uma alternativa de redução em 50% da tarifa. Desembargadores reconheceram que a lei não aponta a fonte de custeio, como determina a constituição do Estado. A maioria acolheu o voto do relator, Roberto Wider. O sindicato das empresas de Ônibus do Município do Rio de Janeiro pretende com a decisão ter poder de barganhar com o poder municipal. As empresas alegam que 45% do total das passagens são gratuidades cujos custos são arcados pelo empresários e passageiros pagantes. Fala-se na possibilidade de compensação de impostos para que as gratuidades sejam mantidas.
Penso, em primeiro lugar, que os senhores desembargadores do`Órgão Especial do Tribunal de Justiça são ALIENADOS DA REALIDADE DE QUEM É USUÁRIO DE ÔNIBUS. NUNCA ENTRARAM EM UM, O MAIS PERTO QUE CHEGAM DESSE TRANSPORTE É QUANDO ESTES EMPARELHAM COM SEUS MODESTOS CARROS NAS RUAS. Esses senhores não possuem parentes que necessitam desse transporte.
Se as tarifas, como dizem o prefeito, já incorporam as gratuidades, porque dessa atitude? As empresas alegam que arcam com parte do custo... estão porventura tendo prejuízo? Cancelem a conceção das linhas, deixem o negócio se está dando prejuízo. Os empresários não podem arcar com nenhum custo porque? São intocáveis? E se receberem isenções de impostos, é a população que vai arcar com mais essa? Nós perdemos, mas eles não podem? Os empregados das empresas de ônibus relatam que o menor prejuízo que esses empresários tem nos carros, sejam pequenas avarias, sejam as GRATUIDADES EM EXCESSO SÃO DESCONTADAS DESSES PROFISSIONAIS! OS EMPRESÁRIOS TEM UMA EXCELENTE CONSCIÊNCIA SOCIAL! Mais uma vez repito: EMPRESÁRIOS, SE ESTÃO TENDO PREJUÍZO LARGUEM AS CONCESSÕES QUE RECEBERAM PARA EXPLORAR O TRANSPORTE QUE É PÚBLICO!
Por fim, deixo aqui minha posição: se esse fato se consumar, eu não vou de ônibus para o trabalho nem para a faculdade, e olha que dependo muito desse meio de transporte. Vou de metrô, de trem ou de barca... vou até a pé ou de bicicleta, mas me recuso a pegar ônibus. EU USEI A GRATUIDADE QUANDO ESTUDANTE MUNICIPAL E ESTADUAL E MEU PAI USA. ISSO É DE INTERESSE PÚBLICO. PENSO QUE ESSES EMPRESÁRIOS ENTENDERÃO MUITO BEM O RECADO QUANDO ISSO DOER-LHES NOS BOLSOS. A semente está lançada.
enviada por Marco Aurélio
23/12/2006 19:25
Nenhuma notícia é fria - John Pilger, 14/09/2006
Quando comecei a trabalhar como jornalista, havia algo chamado notícias frias. Referíamo‑nos a dias de notícias frias quando nada acontecia aparte, claro está, triunfos e tragédias em lugares distantes onde a maior parte da humanidade vivia. Estes raramente eram relatados, ou as tragédias eram descartadas como actos da natureza, independentemente das provas em contrário. O valor das notícias de sociedades inteiras era medido pela sua relação connosco no ocidente e o seu grau de acatamento, ou hostilidade, à nossa autoridade. Se não se ajustassem, eram notícias frias.
Pouco destas concepções mudaram. Para mantê-las, milhões de pessoas permanecem invisíveis, e descartáveis. No 11 de Setembro de 2001, enquanto o mundo lamentava as mortes de quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos, a Organização para a Alimentação e a Agricultura [FAO] das Nações Unidas relatava que mais de 36.000 crianças haviam morrido devido aos efeitos da pobreza extrema. Elas foram notícias muito frias.
Vamos tomar uns poucos exemplos recentes e comparar cada um deles com as notícias regulares tal como são vistas na BBC e alhures. Manter em mente que os palestinos são cronicamente notícias frias e que os israelenses são notícias regulares.
Notícia regular: Charles Clarke, porta-voz de Tony Blair, «revive a batalha de Downing Street» e chama Gordon Brown de «estúpido, estúpido» e um «obcecado pelo controle». Ele desaprova o modo como Brown sorri. A isto é dada cobertura até à saturação.
Notícia fria: «Um genocídio está a ter lugar em Gaza», adverte Ilan Pappe, um dos principais historiadores de Israel. «Esta manhã... outros três cidadãos de Gaza foram mortos e uma família inteira ferida. Isto é a colheita da manhã; antes do fim do dia muitos mais serão massacrados».
Notícia regular: Blair visita a Cisjordânia e o Líbano como um «pacificador» e um «intermediário» entre o primeiro‑ministro israelense e o «moderado» presidente palestino. Mantendo uma expressão indiferente, ele adverte contra «demagogias» e «distribuir culpas».
Notícia fria: Quando o exército israelense atacou a Cisjordânia em 2002, arrasando casas, matando civis e destruindo lares e museus, Blair foi avisado previamente e deu o sinal verde. Ele também foi avisado acerca dos recentes ataques israelenses a Gaza e ao Líbano.
Notícia regular: Blair disse ao Irão para prestar atenção ao Conselho de Segurança da ONU sobre «não avançar com um programa nuclear».
Notícia fria: O ataque israelense ao Líbano fazia parte de uma sequência de operações militares planeadas cuidadosamente, das quais a próxima é o Irão. As forças americanas estão prontas para destruir 10.000 alvos. Os EUA e Israel contemplam a utilização de armas nucleares tácticas contra o Irão, muito embora o programa de armas nucleares do Irão seja não‑existente.
Notícia regular: «Temos estado a fazer progresso real em áreas onde a insurgência tem sido mais forte», diz um porta-voz estadunidense no Iraque.
Notícia fria: Os militares estadunidenses perderam todo o controle sobre a Província al-Anbar, a oeste de Bagdade, incluindo as cidades de Faluja e Ramadi, as quais estão agora nas mãos da resistência. Isto significa que os EUA perderam o controle de boa parte do Iraque.
Notícia regular: «É bastante claro que tem sido feito progresso real [no Afeganistão]», diz o Foreign Office.
Notícia fria: pilotos da NATO matam 13 civis afegãos, incluindo nove crianças, durante um ataque para «proporcionar cobertura» às tropas britânicas com base em Musa Kala, na Província Helmand.
Notícia regular: Blair é o primeiro-ministro trabalhista com mais êxito, pois venceu três eleições consecutivas de modo esmagador.
Notícia fria: Em 1997, Tony Blair recebeu menos votos populares do que os Conservadores de John Major em 1992. Em 2001, Blair recebeu menos votos populares do que os trabalhistas de Neil Kinnock em 1992. Em 2005, Blair recebeu menos votos populares do que os Conservadores em 1997. As últimas duas eleições produziram a mais baixa participação desde a cidadania. Blair tem o apoio de pouco mais de um quinto da população eleitora britânica.
Notícia regular: Na era de Blair «a ideologia rendeu-se inteiramente aos valores... não há vacas sagradas nem limites fossilizados para o terreno sobre o qual a mente pode estender-se na busca de uma melhor Grã‑Bretanha», escreveu Hugo Young, The Guardian, 1997.
Notícia fria: «Nuremberg declarou que a guerra agressiva é o supremo crime internacional. Eles [Bush e Blair] deveriam ser julgados juntamente com Saddam Hussein», afirma Benjamin Ferencz, promotor chefe dos crimes nazis em Nuremberg.
http://infoalternativa.org/midia.htm
enviada por Marco Aurélio
22/12/2006 21:36
Natal de quem?
Dezembro, festas de fim de ano, confraternizações de trabalho e faculdade, agitação nas ruas e nos centros comerciais. A mídia vende-nos a necessidade de presentes, de oportunidades de compra a prazo com pagamento depois do carnaval, mostra comerciantes falando da expectativa de superar vendas de anos anteriores. A ceia de Natal é planejada antecipadamente, o consumo de carnes de animais cresce em proporções significativas. As famílias se reúnem em torno da mesa farta, trocam-se presentes, dão-se o clássico feliz Natal e depois acabou. As pessoas vão dormir e esperar a próxima festa, o Ano Novo, onde outras expectativas serão criadas. Desse falamos depois.
Muito pouco tenho escutado falar no nome daquele que seria o aniversariante da noite. Muito se tem falado em Papai Noel, figura que dizem remeter a São Nicolau, pela tradição de distribuir coisas. Precisava-se de alguma figura simpática que de alguma forma desse respaldo para o homem do trenó. Mas a pergunta que fica é: de quem é o Natal, de Jesus ou de Papai Noel? A resposta pode surpreender a muitos, mas eu diria que atualmente, para a maioria é de Papai Noel! Explico-me.
A ênfase que temos dado a essa data tem sido a de troca de presentes, a reunião onde as pessoas estão preocupadas em comer bem, receber e dar presentes. Assimilamos de forma não pensada, inconscientemente, a onda de que o mais importante é ter coisas, acumular. Nunca como nessa época, as propagandas do comércio são tão incisivas. É um Natal interesseiro onde a mortandade de animais e a super-exploração de certos trabalhadores é intensa.
O Natal de Jesus é vivido por algumas pessoas. É o dia em que homens de boa vontade saem de si mesmo para socorrer aqueles que passariam a noite sem se alimentar. É o dia que se distribui solidariedade e respeito humano. É o dia de reflexão e lembrança de Jesus e seus exemplos. O Natal que pensa no outro. Coletivo, não individualista. Que acredita que a felicidade é direito de todos e que impossível alguém dispor dela de forma isolada. Esse Natal não vai longe, está mais perto do que imaginamos, porque já vivido por alguns. Um dia, a depender de nossos esforços, será o de todos. Depende de nós!
enviada por Marco Aurélio
21/12/2006 23:17
Cristianismo do Cristo ou dos homens?
Não existia projeto de escrever nada hoje. Depois do último dia na faculdade, onde tive uma excelente surpresa com a nota de uma matéria, chegara desgastado com o calor do Rio de janeiro e, nos preparativos da janta, percorri os canais e encontrei algo que sempre me incomodou. Um programa de tv de uma denominação cristã onde se vinculava da forma mais clara possível a relação entre prosperidade financeira e a vinculação do indivíduo ao Cristianismo. Todas as vezes que assisti a esse programa, que traz depoimentos de pessoas que supostamente (não afirmo porque não tenho elementos de certeza) teriam encontrado o equilíbrio e posteridade financeira depois da adesão à denominação, sempre ocorreram-me reflexões a respeito.
A primeira diz respeito ao fato de que o homem que inspira esse movimento, Jesus era pobre, nascido em um lugar onde se recolhiam os animais. Um homem que vivera toda a sua vida na pobreza, sem a menor preocupação de acumular bens materiais. Queria sim cumular de felicidade os corações que o cercavam, com o seu exemplo de amor e humildade com que pautou sua vida. O homem que afirmou que não possuia uma pedra onde repousar a cabeça. Não me consta que a prosperidade financeira estivesse na pauta da mensagem de Jesus. Pelo que me lembre, ele pontua a dificuldade que representa o ser humano deter grande soma de bens, quando fala na dificuldade dos ricos ingressarem no Reino dos Céus.
Outra reflexão que me ocorre é que no atual estágio que vivemos, onde nosso modelo é o capitalista, essa idéia de ampla prosperidade para um grande número de pessoas é inviável, não se sustenta por tudo aquilo que assitimo nos meios de comunicação como as crises econômicas, baixos salários, desemprego, perda de direitos trabalhistas, sucateamento de serviços públicos, etc que ocorrem em escala mundial. O abismo que separa os que tem muito recurso e aqueles que tem pouco aumenta.
Assim sendo, como sustentar o argumento que vincula o Cristianismo, uma mensagem que nunca se propôs a exaltar a acumulação de dinheiro e bens (me refiro ao Cristianismo do Cristo e não o dos homens) com a prosperidade financeira que essa instituição coloca como uma espécie de recompensa ou prêmio por conta da vinculação a seus quadros? Como conciliar essa suposta prosperidade com tudo aquilo de dificuldades que vivemos e acompanhamos pelas mídias? A resposta a essa pergunta e a que deu o título a nosso escrito não será dada por escrito. Nascerá na consciência de quem ler e refletir sem preconceitos o conteúdo dessas linhas.
Paz e Bem a todos!!!
enviada por Marco Aurélio
20/12/2006 23:32
Louvor do Natal
LOUVOR DO NATAL
Espírito: EMMANUEL.
Senhor Jesus!
Quando vieste ao mundo, numerosos conquistadores haviam passado, cimentando reinos de pedra com sangue e lágrimas.
Na retaguarda dos carros de ouro e púrpura com que lhes fulgia as vitórias, alastravam-se, como rastros da morte, a degradação e a pilhagem, a maldição do solo envilecido e o choro das vítimas indefesas.
Levantaram-se, poderosos, em palácios fortificados e faziam leis de baraço e cutelo, para serem, logo após, esquecidos no rol dos carrascos da Humanidade.
Entretanto, Senhor, nasceste nas palhas e permaneceste lembrado para sempre.
Ninguém sabe até hoje quais tenham sido os tratadores de animais que te ofertaram esburacada manta, por leito simples, e ignora-se quem foi o benfeitor que te arrancou ao desconforto da estrebaria para o clima do lar.
Cresceste sem nada pedir que não fosse o culto à verdadeira fraternidade.
Escolheste vilarejos anônimos para a moldura de tua palavra sublime...Buscaste para companheiros de tua obra homens rudes, cujas mãos calejadas não lhes favoreciam os vôos do pensamento. E conversaste com a multidão, sem propaganda condicionada.
No entanto, ninguém conhece o nome das crianças que te pousaram nos joelhos amigos, nem das mãos fatigadas a quem te dirigiste na via pública!
A História, que homenageava Júlio César, discutia Horácio, enaltecia Tibério, comentava Virgílio e admirava Mecenas, não te quis conhecer em pessoa, ao lado de tua revelação, mas o povo te guardou a presença divina e as personagens de tua epopéia chamam-se o cego Bartimeu, o homem de mão mirrada, o servo do centurião, o mancebo rico, a mulher Cananéia, o gago de Decápolis, a sogra de Pedro, Lázaro, o irmão de Marta e Maria.
Ainda assim, Senhor, sem finanças e sem cobertura política, sem assessores e sem armas, venceste os séculos e estás diante de nós, tão vivo hoje quanto ontem, chamando-nos o espírito ao amor e à humildade que exemplificaste, para que surjam, na Terra, sem dissensão e sem violência, o trabalho e a riqueza, a tranquilidade e a alegria, com bênção de todos.
É por isso que, emocionados, recordando-te a manjedoura, repetimos em prece:
- Salve, Cristo! Os que aspiram a conquistar desde agora, em si mesmos, a luz de teu reino e a força de tua paz, te glorificam e te saúdam!...
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

enviada por Marco Aurélio
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